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DICAS E ARTIGOS

Quais alongamentos e exercícios fazer para artrose nos dois joelhos?

A artrose é basicamente definida como um desgaste da cartilagem.
Essa cartilagem é uma estrutura que pode ser comparada a uma borracha, que fica entre dois ossos, impedindo que eles se batam, amortecendo o contato entre eles. Quando ela é muito forçada, acaba se desgastando, gerando a artrose.
Neste caso, sabemos que uma das principais causas é o excesso de carga em cima dela. No caso dos joelhos, esta sobrecarga pode ser em decorrência do peso, de exercícios extremamente lesivos, atividades de alto impacto de maneira errada, desalinhamento dos ossos, desidratação crônica, entre outros.
Alongar os músculos em torno do joelho, podem ajudar um pouco, mas não tratam a causa.
Exercícios, desde que bem orientados, podem reduzir os desalinhamentos e dar mais proteção a cartilagem. Porém, é preciso tomar muito cuidado ao fazer exercícios, pois se forem feitos de maneira errada, podem piorar o quadro, aumentando ainda mais o desgaste ma articulação.
Por isso, é importante consultar seu médico, que provavelmente te encaminhará para um fisioterapeuta e/ou educador físico, para evitar que a artrose piore.



Como evitar lesões no joelho

O joelho é a maior articulação do corpo humano, e devido a sua posição anatômica, está exposto tanto a lesões por impactos diretos (contusões, fraturas), quando a lesões por ação de forças indiretas (torções). As lesões causadas por torções são conhecidas como entorses do joelho, e atingem os ligamentos, que são estruturas fibrosas bastante resistentes e responsáveis por manter o joelho firme (estável) durante a prática esportiva.
O joelho possuí quatro ligamentos principais, cada um responsável por impedir o movimento excessivo em uma direção particular . Quando uma força excessiva supera a resistência do ligamento, ele pode se romper parcial ou totalmente. Neste último caso, o joelho fica frouxo e muitas vezes necessita de tratamento cirúrgico para sua recuperação.

Para que o joelho mantenha-se estável, ele depende dos estabilizadores estáticos, que são os ligamentos, e dos estabilizadores dinâmicos, que são os músculos da coxa e perna. Estes últimos são fundamentais, pois quando sofremos uma torção, imediatamente estes músculos se contraem, impedindo uma torção excessiva que possa romper os ligamentos. Quem está com a musculatura fraca faz com que a força da torção descarregue-se totalmente sobre os ligamentos, que podem não suportá-la e romper-se. Observe portanto a importância de conservarmos nossa musculatura forte e bem condicionada.

Outra causa freqüente de lesões é a falta de alongamentos musculares. Quando não fazemos alongamentos os músculos trabalham tensos a as articulações pressionadas, predispondo tanto a roturas musculares quando a desgaste nas articulações. A realização de alongamentos é fundamental, portanto, e deve idealmente ser realizada antes e depois de toda prática esportiva. Várias atividades físicas atualmente recomendadas nas academias, como yoga, pilates e isostretching, dão grande ênfase aos alongamentos musculares.

O excesso de exercícios, acima da capacidade física de cada indivíduo, também é um grande vilão causador de lesões e dores nas articulações, principalmente coluna, quadril e joelhos, que são articulações que suportam todo peso e impactos repetitivos, principalmente nas atividades que exigem saltos freqüentes, como voleibol e basquete. Por isso, é muito importante estabelecer um rotina de exercícios sem sobrecarga e onde seja reservado espaço para o descanso dos músculos e articulações, para que estes possam se recuperar sem lesões. Este programa é chamado periodização do exercício e em geral é desenvolvido pelos personal-trainers e educadores físicos.

As pessoas que estão acima do peso devem realizar atividades de baixo impacto, como caminhadas, natação e hidroginástica, antes de iniciar atividades de impacto como as corridas. Cada passo dado durante a corrida faz os joelhos suportarem cerca de três a seis vezes o peso corporal. Portanto, quem quer correr deve estar com um peso mais adequado e com boa musculatura nas coxas e pernas, para distribuir melhor os impactos sofridos pela articulação.
Um erro comum é ter pressa em perder peso e correr com peso excessivo e sem musculatura, sobrecarregando os joelhos e causando desgaste precoce das suas cartilagens.

Assim sendo, toda atividade física e principalmente as coletivas, como futebol, basquete, voleibol, requer preparo físico prévio, o que inclui:

1. Treino aeróbico (capacidade cardiovascular)
2. Fortalecimento muscular
3. Alongamentos

  • Peso corporal adequado


A maioria das pessoas que sofrem lesões durante a prática esportiva são os chamados “atletas de final de semana”, que em geral são profissionais liberais, trabalhadores de escritório, etc, que não fazem as atividades físicas preparatórias descritas acima e querem jogar nos fins de semana acima de sua capacidade, sentindo-se verdadeiros jogadores profissionais quando entram em campo.

Lembre-se: A realização da atividade física coletiva sem preparação prévia não é suficiente para um condicionamento adequado e para prevenir lesões !!!

Quem está sedentário e quer começar a realizar atividades físicas deve fazer uma avaliação pré-participação completa, o que inclui consulta com médicos cardiologista e ortopedista, avaliação nutricional e acompanhamento posterior com um profissional da área esportiva, como educadores físicos, fisiologista do esporte e personal-trainers.
Desta forma, afastam-se riscos para a saúde cardiovascular e musculoesquelética, e se estabelece um programa individual de treinamento, levando em conta a idade, nível de condicionamento e objetivos pessoais.



Dez dicas para manter joelhos saudáveis e longe de lesões

Sedentarismo é o principal responsável pelo desequilíbrio e fraqueza muscular nos joelhos, com repercussões. Fortalecimento da região é muito importante.

Hoje existe um consenso mundial de que o sedentarismo é o principal responsável pelo desequilíbrio e fraqueza muscular com repercussões no joelho. Vai começar a praticar um esporte e teme desenvolver lesões nos joelhos?

Seguem algumas dicas preventivas baseadas em estudos atuais:

- Praticar esportes
A construção de músculos fortes nos quadríceps e isquiotibiais (anteriores e posteriores da coxa) pode diminuir a dor e ajudar as pessoas a tolerarem melhor algumas doenças. Manter-se ativo também, ajuda a controlar o peso. A chave é saber seus limites.

- Orientações a um traumatologista do esporte
Sabe-se hoje que algumas descobertas do exame físico predispõem a lesões. Exemplos incluem o alinhamento dos joelhos: estaticamente, joelhos em “x” (genu valgum) e pés planos; e dinamicamente, a fraqueza dos estabilizadores dos quadris (valgo dinâmico) e a pisada pronada, mensurada através da baropodometria. Os dois estão ligados estatisticamente a diversos tipos de lesão, principalmente entre corredores de rua. Um exame importante na avaliação pré-esportiva é o teste isocinético, pois determina desequilíbrios musculares e pode avaliar os tornozelos, joelhos e quadris.

- Pedir orientações a um treinador
O treinamento incorreto é considerado o principal fator ligado a lesões. Correr sozinho e sem orientações de um educador físico especializado na área pode, por exemplo, fazer com que o corredor adote posturas erradas e aumente subitamente volume e intensidade, também predispondo a lesões.

- Fortaleçer o joelho
O joelho atua como o principal dissipador de energia cinética no esporte. Ou seja, qualquer impacto ou força de explosão passa por esta articulação. A falta de preparo muscular pode não dissipar corretamente e causar sobrecarga com lesões a cartilagens, tendões e à membrana. O ganho do musculo anterior da coxa (quadríceps) é crucial para o preparo ao esporte, idealmente em uma academia sob a supervisão de um educador físico, evitando-se angulações e posturas lesivas.

- Fortalecer o quadril
A musculatura do quadril vem, cada vez mais, ganhando atenção em traumatologia esportiva. Acredita-se que os músculos glúteo médio e mínimo, principais estabilizadores do quadril, quando fortes e de rápida contração, evitam que o joelho “caia para dentro”, fazendo com que a pessoa adote a postura que chamamos de “valgo dinâmico”, muito comum em mulheres que praticam corrida de rua.

- Não exagerar no treino
Picos súbitos de treino visando determinada prova podem ser o “estopim” de uma lesão, principalmente se os tecidos do joelho já estiverem sobrecarregados.  Estudos têm demonstrado que, dentre as demais articulações, o joelho trabalha muito próximo aos seus limites fisiológicos e a dor após um treino exagerado pode demonstrar que uma lesão se instalou.

- Manter o peso controlado
Para se ter uma ideia, a cada passo dado, o impacto de duas a quatro vezes do peso corporal é transmitido através da articulação do joelho.  Assim, quanto mais você pesa, mais forte é o impacto em seu joelho. Estudos mostram que, ao perder 10 kg de peso, é possível reduzir em ate 20% da dor dos joelhos com artrose.

- Cuidado com o calçado
Tênis confortáveis e com bom amortecedor ao “toque do calcanhar” ajudam a tirar a pressão da articulação do joelho, através da promoção de alinhamento do membro adequado e melhoria do equilíbrio. Para as mulheres, aconselha-se evitar o exagero no uso de saltos altos, pois, além de causarem encurtamento da musculatura da panturrilha, também enfraquecem a musculatura anterior da perna.

- Melhorar o equilíbrio
O treinamento direcionado a determinada modalidade esportiva, quando aliado a exercícios de pilates, é indicado na prevenção de lesões nos joelhos por melhorar a propriocepção, que é a transferência de informação neurológica a partir uma parte do corpo para o cérebro e de volta novamente. A função de proprioceptores é a de melhorar nas articulações dos membros inferiores .

- Trabalhar as outras articulações
Uma boa flexibilidade e bom arco de movimento do quadril e tornozelo ajudam a transmitir e dissipar melhor a força durante o esporte, evitando a sobrecarga nos joelhos.



Artroscopia do joelho: como é o exame? Quem deve fazer?

Conhecendo o joelho

O joelho é a maior e uma das mais importantes articulações do corpo. Nela convergem ossos, cartilagens, meniscos, ligamentos, músculos, tendões e cápsulas articulares. A integração desses vários elementos faz desta articulação uma estrutura muito complexa e de grande mobilidade. Por tudo isso, além de suportar o peso quase total do corpo e estar exposta a todo tipo de traumatismos, acidentes e doenças, o joelho sofre lesões com muita frequência. É muito difícil encontrar-se alguém de idade avançada que em algum momento da vida não tenha tido problemas com os joelhos.

O que é artroscopia do joelho?

A artroscopia do joelho é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo, utilizado para diagnosticar e/ou tratar doenças dessa articulação. Ela permite ao médico ver o interior da articulação e os seus vários elementos.

Quem deve fazer o exame?

É possível que o médico solicite uma artroscospia se o paciente tem um edema (aumento de líquido no joelho), dor persistente, travamento, falseio ou perda de confiança no joelho. Assim, ele poderá diagnosticar e tratar, sempre que outros tratamentos não tenham tido efeito. A artroscopia tanto pode ajudar a diagnosticar como tratar situações, como rompimento de meniscos, rotura de ligamentos, inflamações, problemas patelares, etc.

Como o exame é realizado?

Geralmente a artroscopia do joelho é realizada com anestesia raqui ou peridural (ou mesmo local), num regime de Day Clinic (hospital dia) e o paciente pode ter alta no mesmo dia. A cirurgia durará de 45 minutos a 1 hora e, se o paciente tiver recebido um desses tipos de anestesia, que o deixam lúcido, poderá assistir ao procedimento no monitor de TV, ou dormir, se desejar.

Na artroscopia são feitos dois pequenos furos na articulação, um para introduzir o artroscópio e outro para os instrumentos necessários para operar, se for o caso. O artroscópio é um tipo de endoscópio, um aparelho constituído de um fino tubo cilíndrico, rígido, do tamanho de um lápis, que tem na ponta uma microcâmera portando fibras óticas, a qual transmite imagens para um monitor de TV e assim permite que se veja dentro da articulação. Em geral insere-se certa quantidade de soro fisiológico dentro do interior da articulação, para que ela seja inflada e se torne mais clara, permitindo assim uma melhor visualização.

A recuperação do exame/intervenção é rápida, pois não há cortes e as cicatrizes são muito pequenas.

As complicações da artroscopia do joelho são pouco frequentes e reversíveis e se resumem em trombose venosa e acúmulo de líquido sanguíneo na articulação.

Por que fazer este exame?

A artroscopia do joelho possibilita um diagnóstico mais preciso do que está ocorrendo no interior da articulação e permite certas intervenções terapêuticas.

Possivelmente, antes de sugerir uma artroscopia o médico terá procedido a uma história clínica e exame físico detido e pedido radiografias ou ressonância magnética para avaliar os ossos e demais estruturas do joelho. Com a artroscopia ele pode realizar alguns procedimentos terapêuticos como remoção, reconstrução ou reparo de meniscos ou ligamentos, remoção de fragmentos ósseos ou de cartilagem soltos no interior de uma articulação ou de tecido sinovial inflamado, etc.

E após a cirurgia?

Após a cirurgia, o paciente sairá do hospital somente com um curativo no joelho, que pode ser removido no dia seguinte.

O paciente pode tomar banho normalmente evitando, no entanto, que a água caia com força diretamente sobre as incisões.

O paciente deve procurar elevar o máximo possível sua perna nos dias seguintes à cirurgia, para minimizar o edema.

O paciente deve aplicar gelo na articulação, 3 a 4 vezes ao dia. A pele deve ser protegida com um tecido fino para que o gelo não a queime.

Após a maioria das cirurgias artroscópicas, o paciente pode caminhar sem bengalas ou muletas, mas em alguns casos o médico pode aconselhar que elas sejam usadas durante algum período.

O paciente deve exercitar seu joelho regularmente, para fortalecer os músculos de sua perna e da articulação. Sempre com orientação médica.

Se necessário, o paciente deve usar medicações analgésicas.

Como evolui a artroscopia de joelho?

A evolução de uma artroscopia do joelho será frequentemente determinada pela gravidade da lesão pré-existente.

Conforme o caso, o paciente poderá apresentar alguma limitação duradoura ou permanente de atividades, mesmo após um período de recuperação.

Na maioria dos casos, em seis a oito semanas o paciente será capaz de realizar a maior parte das atividades físicas que está acostumado a fazer, desde que elas não envolvam demasiado impacto.



Comum em jovens atletas, lesão no joelho causa dor e limita movimentos

A osteocondrite dissecante (OCD) do joelho é uma causa relativamente comum de dor e limitação funcional em crianças e adolescentes. Tipicamente, a doença ocorre no joelho de atletas mirins envolvidos em esportes competitivos e submetidos a treinamentos intensos.

Trata-se de uma doença adquirida em que o osso subcondral (osso abaixo da cartilagem) se torna avascular, ou seja, perde o suprimento sanguíneo, desestabilizando a cobertura cartilaginosa. Se não ocorrer a reversão do processo (consolidação), o complexo osso-cartilagem, sujeito a forças de impacto e de cisalhamento do esporte, pode separar-se completamente do seu leito ósseo, determinando irregularidade articular e até a formação de corpos livres.

A OCD do joelho pode ser subdividida em duas formas:

1 – osteocondrite dissecante juvenil (OCDJ) – ocorre em atletas mirins com a cartilagem de crescimento aberta

2 – osteocondrite dissecante do adulto (OCDA) – ocorre em atletas mirins com a cartilagem de crescimento fechada.

Quando não respondem satisfatoriamente ao tratamento, ambas as formas apresentam tendência a sequelas tardias, inclusive a osteoartrose (OA).

Como a doença se apresenta?

O processo apresenta-se entre 13 e 21 anos, e os sinais físicos podem estar relacionados com o local da lesão. As queixas básicas são a dor e o inchaço do joelho afetado, que podem ser exacerbadas pela atividade física. Sensações de estalidos e até bloqueios articulares podem ocorrer em casos de corpos livres articulares. A atrofia do quadríceps (anterior da coxa) pode estar presente em casos sintomáticos de longa duração.

Os sintomas são indefinidos, com dor difusa agravada pelo apoio e flexão. O inchaço durante ou após atividades excessivas e atrofia muscular precoce são sinais que podem ocorrer associados à crepitação retropatelar. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética são importantes para definir o local, a extensão e a viabilidade da lesão.

Diagnóstico

Os exames radiográficos simples, como tomografia computadorizada, e ressonância magnética, são os mais importantes. A cintilografia com tecnécio 99 pode ser utilizada, inclusive para avaliar a tendência à resolução do processo. Entretanto, esta técnica é questionada pelo tempo de obtenção das imagens e pelo risco da administração do contraste.

Tratamento

1- Repouso e muletas

O sucesso ocorre mais frequentemente antes do fechamento da cartilagem de crescimento. As lesões estáveis têm prognóstico melhor. As orientações incluem a medicação analgésica e anti-inflamatória, a redução da carga (com uso de muletas) e a utilização de imobilizador. A restrição total das atividades físicas pode determinar a resolução do processo em pacientes mais jovens.

A duração do tratamento conservador não está claramente estabelecida, mas provavelmente não deve ser prolongada além de seis meses se não houver evidência de resolução clínica e por exames de imagem.

2 – Tratamento cirurgico

A cirurgia estará indicada nos casos em que o tratamento conservador falhar e para os casos de lesões instáveis ou deslocadas, em especial para a OCDA.

As opções cirúrgicas incluem: remoção simples do fragmento ou eventual corpo livre, perfurações simples do osso subcondral, fixação do fragmento, autoenxerto osteocondral (mosaicoplastia) e implante autólogo de condrócitos.

Matéria publicada pelo site Globo.com



O JOELHO DA MULHER É MAIS SUSCETÍVEL A LESÕES?

Estudos publicados nos últimos 20 anos mostram que as mulheres que praticam corrida de rua não apenas estão se lesionando, mas que isso acontece em taxas absurdamente maiores do que os homens. Para a corrida de rua, esta proporção de lesão no joelho extrapola o índice de um homem para sete mulheres lesionadas para a mesma intensidade e volume dos treinos.

Mas, por que isso ocorreria? Seria o uso do salto alto, força muscular reduzida? Anatomia? Por que o joelho da mulher é mais suscetível a lesões? Autores que estudam a mulher corredora afirmam que as atletas exibiriam um tempo de recrutamento de grupos musculares mais prolongado que os observados em homens e que isso poderia afetar a dinâmica de diversas articulações, principalmente do joelho.

De maneira mais didática, isso significa que, em uma aterrisagem do vôlei, por exemplo, o “comando” vindo do cérebro para que a musculatura se contraia de maneira adequada chega “atrasado” em alguns músculos, principalmente nos glúteos médio e mínimo no quadril (músculos estabilizadores da pelve) e no vasto medial (músculo interno da coxa). Isso faz com que o fémur “rode para dentro” e deixe a patela mais lateralizada e em contato reduzido das superfícies articulares.

Quanto menor a área de contato, maior a pressão e, consequentemente, maior a chance de lesão crónica de tecidos, em especial a cartilagem patelar. Nos últimos cinco anos, alguns autores provaram existir o valgo dinâmico através do exame chamado eletromiografia e da ressonância magnética dinâmica (em movimento). Ele postulam que o problema das mulheres corredoras é na verdade funcional e nao só anatómico, como se pensava 30 anos atrás.

Isso significa que a cada passo da corrida, a mulher estaria sujeita ao valgo dinâmico? Sim. A fase inicial da corrida é chamada de absorção de impacto, no qual a energia cinética do contato do pé ao solo é absorvida através da contração muscular e da flexão do joelho. Havendo o valgo dinâmico, existiria um micro-trauma de repetição que, a médio e longo prazo, desenvolveriam sintomas como a dor, desconforto e inchaço no joelho.

Condromalácea

A condromalácia patelar (também conhecida como síndrome da dor patelo-femoral, ou “joelho de corredor”) consiste em uma doença degenerativa da cartilagem articular da superfície posterior da patela. O termo vem do latim e significa, em sua essência, “amolecimento da cartilagem”. Muito comentada e estudada desde o início dos anos 90 com o advento da Ressonância Nuclear Magnetica como ferramenta diagnostica de lesões no joelho. Dentre o rol de doenças do joelho da mulher corredora, esta estaria intimamente ligada ao valgo dinâmico e, infelizmente, tratada de maneira incorreta em muitos casos.

Acredita-se que a doença desenvolva-se a partir do contato excessivo da cartilagem da rótula que estaria lateralizada em relaçao ao seu “trilho”, a tróclea femoral. A distribuição desigual dos pontos de pressão causaria, em longo prazo, morte celular e desarranjo da matriz extra-celular, com consequentes sintomas de dor, creptação ou sensação semelhante a “areia” dentro do joelho, estalos e, às vezes, falseios. No início, a lesão dá-se por amolecimento da cartilagem. A seguir, podem haver ulcerações, fissuras, terminando com o desgaste de toda sua espessura, evoluindo,assim como qualquer lesão cartilaginosa, para a osteoartrose.

Os graus

Segundo a classificação descrita por Outerbridge (1961), existem 4 níveis de condromalácia patelar, de acordo com o estágio de deterioração da cartilagem.

1 - amolecimento da cartilagem e edemas. Este estagio é considerado como normal por quase todos os autores e estaria presente em quase toda a população acima de 20 anos de idade.

2 - fragmentação de cartilagem ou fissuras com diâmetro < 1,3cm de diâmetro

3 - fragmentação ou fissuras com diâmetro > 1,3cm

4 - erosão ou perda completa da cartilagem articular, com exposição do osso subcondral

O que se sente?

Os principais sintomas são: dor profunda no joelho, as vezes irradiada para a região posterior, desencadeada na corrida e, posteriormente, ao subir e descer escadas, ao levantar-se de uma cadeira, muitas vezes restringindo para atividades da vida diária.

Crepitação e estalos, muitas vezes audíveis sao comuns. Quando existe o acumulo de líquido dentro do joelho, conhecido popularmente como “água no joelho”, indica agravo da doença com uma complicação comum denominada sinovite, uma reação inflamatória da membrana sinovial que reveste o joelho.

Como se trata?

O tratamento fundamenta-se na detecção da presença valgo dinâmico e de desequlibrios musculares através do exame físico minucioso, com atenção especial para a musculatura do quadril feminino, observando-se a postura adotada no movimento de descida, detecção de pisada muito pronada pelo teste de baro-podometria e avaliação do equilíbrio muscular entre musculatura anterior da coxa (extensores do joelho) e posterior (flexores), através do teste de força ouavaliação isocinetica.

A reabilitação envolve recursos antiinflamatorios iniciais como o laser e o ultrassom, seguidos da ativação de grupos musculares enfraquecidos, muitas vezes com auxilio da eletroterapia (correntes russa ou australiana), seguida do fortalecimento e aumento do tempo de ativação de grupos musculares através dos treinos proprioceptivos e pliométricos.

Muitas vezes, o uso do salto alto deve ser reduzido por determinado período e pisadas muito pronadas ou muito supinadas também devem ser tratadas.

Tratamento

O tratamento cirúrgico da condromalácia patelar nunca deve ser a primeira opção no tratamento da doença e se reserva aos casos de quem não melhorara com a reabilitação bem feita, com defeito cartilaginoso de graus 3 ou 4 e com encurtamento crônico da retinacula lateral (tecido que segura a patela na região externa).

Nestes casos, através da artroscopia do joelho pode se realizar a regularização da cartilagem lesada, retirada de corpos livres e a soltura da retinacula encurtada, procedimento chamado de “release lateral”. Terapias adjuvantes como a aplicação intra-articular de acido hialurônico no período pós-operatorio auxilia no tratamento e previne a recidiva de sintomas.



PERDA E GANHO DE PESO ELEVAM RISCO DE FRATURA EM IDOSAS

Um novo estudo coloca em xeque a teoria de que o ganho de peso previne a ocorrência de fraturas em mulheres depois da menopausa. Pesquisadores descreveram o periódico BMJ que tanto emagrecer quanto engordar aumenta o risco de fraturas, mas em diferentes partes do corpo.

A pesquisa envolveu dados de 120 000 mulheres saudáveis na pós-menopausa, e avaliou fatores como idade, etnia, índice da massa corpórea, tabagismo, consumo de álcool, prática de exercício e ingestão de cálcio e vitamina D. As voluntárias tinham de 50 a 79 anos no início do estudo e foram acompanhadas por onze anos. 

Anualmente, as participantes eram pesadas e questionadas sobre fraturas no braço (incluindo mão, pulso, ombro, cotovelo), na perna (coxa, joelho, tornozelo e pé) e na região central (quadris, pélvis e coluna). Os pesquisadores consideraram como ganho ou perda de peso mudanças de pelo menos 5% em relação ao peso das voluntárias no início do estudo.

Resultado — Durante os onze anos da pesquisa, o emagrecimento esteve relacionado a um aumento de 65% na incidência de fratura nos quadris, 9% na de braço e 30% na região central, incluindo pélvis e coluna. Já o ganho de peso elevou em 10% o risco de fratura no braço e 18% na de perna. Pessoas que emagreceram sem querer tiveram um aumento nas fraturas de quadris e coluna, enquanto aquelas que perderam peso de propósito apresentaram maior risco de quebrar o braço e a perna.
“As descobertas têm implicações clínicas e acadêmicas e desafiam o paradigma tradicional de que o ganho de peso previne fraturas”, escreveram os pesquisadores.

Passos para uma menopausa saudável

Praticar atividade física

No climatério, a mulher tende a perder massa óssea e massa muscular, já que os níveis de estrogênio diminuem. Por isso, fazer atividade física é essencial. “Modalidades de impacto, como a corrida, estimulam o desenvolvimento da massa óssea, além de contribuir para o crescimento muscular”.

O exercício evita o aparecimento da osteoporose e, aliado a uma dieta equilibrada, alivia sintomas como o fogacho e a irritabilidade. “A prática de atividade física também é excelente para afastar a depressão, comum nessa fase, pois libera hormônios ligados à sensação de bem-estar, como a endorfina”. A recomendação é caminhar de 30 minutos a uma hora, no mínimo três dias por semana.

Administrar o stress

Muitas mulheres temem essa fase por considerá-la sinônimo de envelhecimento. Com a contribuição da baixa do estrogênio, que já interfere negativamente no emocional, a mulher pode ter sinais de depressão e irritabilidade. Administrar o stress diário é importante para passar pelo climatério com poucos sintomas. “A mulher precisa analisar como ela pode aproveitar melhor a vida. Vale qualquer coisa: ler um livro, ir ao cinema ou fazer um curso. É a hora de pensar mais nela”.

Garantir bons níveis de cálcio

A osteoporose é uma doença que ataca a saúde óssea da mulher principalmente após a menopausa, deixando-a suscetível a lesões ósseas graves. “Depois desse período fica mais difícil o cálcio se fixar ao osso, por causa da ausência do estrogênio, importante para essa ação. Portanto, se a mulher já tiver uma boa massa óssea, é menos provável que a osteoporose se desenvolva”.

Controlar o peso

Uma alimentação rica em legumes, verduras e frutas pode ajudar a combater os sintomas da menopausa. “A vitamina E diminui os fogachos, a B6 melhora os sintomas da depressão e a C auxilia na síntese dos hormônios ovarianos. Por fim, a vitamina D3 é importante para o sistema imunológico e para a síntese do cálcio, enquanto o ácido fólico pode diminuir o risco de câncer”.

Ficar longe do cigarro

O cigarro pode levar à menopausa precoce, que se manifesta antes dos 40 anos. “A mulher fumante tem a menopausa antecipada em dois anos, na média”.  O motivo é que o cigarro contém substâncias, como a nicotina, que diminuem a produção de estrogênio.

Beber com moderação

O álcool em excesso gera o mesmo efeito do tabagismo: antecipa a menopausa em dois anos, em média. Assim como o cigarro, a bebida diminui a produção do hormônio estrogênio.



CONCEITOS BÁSICOS DE MEDICINA DESPORTIVA

A medicina desportiva é uma especialidade médica que aborda a influência do exercício e treinamento físicos e da prática do esporte sobre pessoas sadias ou doentes, visando a prevenção, o tratamento e a reabilitação de lesões e doenças. Ela está direcionada a atletas de nível profissional, bem como praticantes de atividade física em geral, a nível competitivo ou recreacional.

A atividade física é considerada um meio de promoção e prevenção de saúde, buscando abandonar o sedentarismo, tão presente em nossa sociedade moderna, em que as pessoas trabalham em locais fechados e usam um elevador ou escada rolante para evitar subir um simples lance de escadas.

Esta especialidade médica promove o bem-estar através de exercícios físicos, sendo também útil na reabilitação pós- cirúrgica ortopédica ou em pacientes com sequela de “derrame cerebral” ou AVC ( Acidente Vascular Cerebral ), por exemplo.

A atividade física, quando bem indicada, pode prevenir a hipertensão arterial, doenças cardíacas como insuficiência cardíaca, o diabetes, a osteoporose e a artrose. Traz benefícios para melhorar o condicionamento cardiopulmonar e a força e resistência musculoesquelética, evitando dores lombares e articulares. Ainda auxilia funções neurológicas como o movimento, a sensibilidade, o equilíbrio, a postura, a coordenação motora e até o raciocínio.

A medicina desportiva abrange as áreas da Traumatologia, Ortopedia, Cirurgia traumato-ortopédica, Reumatologia, Cardiologia, Endocrinologia, Angiologia, Fisioterapia, Educação Física, Psicologia e outros.

O médico que trabalha nesta área pode indicar o tipo de atividade física mais apropriada às condições e objetivos do paciente. Isto é feito individualmente e com o apoio do treinador, que é um profissional de Educação Física.

Em atletas de alta performance, a avaliação é feita de forma bem detalhada com exames laboratoriais, teste ergométrico para avaliar a função cardiovascular e espirometria para avaliar a capacidade pulmonar ou respiratória. A avaliação física analisa ainda o equilíbrio, coordenação motora, agilidade, velocidade, flexibilidade e força muscular. A avaliação nutricional analisa os hábitos alimentares e a composição corporal.

As lesões ortopédicas incluem estiramentos musculares, sobrecargas, dores articulares e tendinosas. Lesões mais graves que podem necessitar de cirurgias abrangem as rupturas totais de ligamentos, músculos e tendões e as fraturas. O papel da Fisioterapia é fundamental na reabilitação e retorno destes atletas a suas atividades esportivas.

O médico que trabalha nesta área se empenha principalmente em medidas preventivas de lesões. Em clubes ou equipes que participam de competições e campeonatos, o objetivo é deixar o atleta preparado para a temporada, prevenindo as lesões e tratando-as.

A equipe médica busca a recuperação do atleta em condições de retornar aos treinos e competições o mais rápido possível, sem comprometer sua saúde, principalmente a longo prazo. O médico supervisiona os atletas, selecionando e adaptando equipamentos protetores, avalia as enfermidades e lesões no campo, quadra, consultório e sala de emergência. Em viagens, ele analisa as condições sanitárias dos locais onde a equipe se hospeda e se alimenta e, quando necessário, promove a prevenção de doenças endêmicas, através de vacinas contra a febre amarela, por exemplo.

Atualmente, o esporte tem sido visto como um dos principais meios de promoção de saúde e prevenção e controle de doenças.  O médico tem o papel principal de informar medidas de prevenção de lesões e doenças, mas vale ressaltar que é o próprio atleta quem mais saberá os limites do seu próprio corpo. Ele é treinado física e psicologicamente para tentar superar estes limites, mas, ao mesmo tempo, deve respeitá-los para evitar lesões.

Esportes como o futebol promovem não apenas bem-estar físico e mental, mas também social. Muitos jovens sonham em serem grandes campeões, com sucesso e fama, mas o esporte representa muito mais do que isto.

Quando estimulamos uma criança ou adolescente a praticar um esporte, podemos estar afastando-o do uso de drogas, alcoolismo, criminalidade, violência e tantas outra mazelas da nossa sociedade. Mais importante que torná-los campeões, é não deixá-los se “perderem”. No mundo tão conturbado que vivemos hoje, estaremos formando muito mais do que campeões.



COMUM NO ESPORTE, A SOBRECARGA DO JOELHO PODE ACARRETAR LESÕES

O joelho é uma articulação, cujas funções são a de absorver a energia cinética gerada pelo contato dos membros inferiores ao solo e transmitir o movimento aos demais seguimentos do corpo. Isto é feito através de dois mecanismos básicos: a chamada contração muscular excêntrica, onde a fibra muscular contrai e alonga-se resistindo ao movimento e aos graus de flexão durante o movimento.

Em uma corrida, por exemplo, a força de reação ao solo, que chega a ser duas vezes ao peso do indivíduo é absorvida pela flexão do joelho entre 50 e 60 graus e pela resistência do quadríceps, ou músculo anterior da coxa. O restante é dissipado pelo quadril e coluna vertebral.

Desde o início dos anos 80, o joelho tornou-se a articulação em destaque na traumatologia do esporte devido à elevada incidência de lesões decorrentes da prática esportiva. Em estudos recentes de biomecânica, concluiu-se que é a articulação do corpo humano que mais trabalha próximo aos seus limites fisiológicos, ou seja, no coeficiente entre destruição tecidual e reconstrução, existe grande chance da segunda prevalecer e, consequentemente, haver lesão.

Portanto, não só a prática esportiva, mas também atividades repetitivas da vida diária, como subir e descer escadas, andar, agachar-se podem desencadear dor e inchaço, sem causa maior aparente.

Para que o joelho cumpra sua função de absorção e transmissão, três fatores são suficientes e necessários: boa flexibilidade de todas as cadeias musculares, desde os rotadores dos quadris, até flexores e extensores dos tornozelos, trofismo muscular e funcionamento harmônico da articulação femoropatelar, ou seja, desde que a rótula deslize de maneira fisiológica em seu “trilho”, a tróclea femoral.

O que causa a sobrecarga?

Basicamente, a sobrecarga é causada por aumentos repentinos na intensidade e volume do treino em quem ja pratica esporte ou naqueles que começam a praticar de maneira abrupta, sem o preparo físico adequado e sem a orientação de um treinador.

O que se sente?

Inchaço no joelho
Estalidos
Sensações de falseio
Sensação de areia dentro do joelho
Dor que pode ou nao melhorar apos a prática esportiva

As lesões

Havendo sobrecarga, diferentes estruturas serão lesadas e a sintomatologia estará intimamente ligada à idade, sexo e modalidade esportiva. Ao correr 10km diários, um homem adulto dificilmente terá as mesmas lesões que uma mulher da mesma faixa etária. Assim como um adolescente que pratique futebol três vezes por semana também terá resposta inflamatória em locais diferentes,se comparado a um indivíduo idoso.

De uma maneira mais didática, podemos agrupar as lesões do joelho como:

A) Tendinites
B) Síndrome de Osgood-Schlatter
C) Sinovite difusa
D) Bursites
F) Condromalácea
G) Síndrome do atrito íleotibial

Tratando e prevenindo

A pedra angular do tratamento da dor no joelho consiste na melhoria do trofismo, equilíbrio e flexibilidade muscular e na correção de fatores que possam alterar o deslizamento entre a rótula e o fêmur. Levando-se em conta o fato de que nenhuma articulação trabalha sozinha, faz-se extremamente necessário a avaliação do tipo de pisada, alterações anatômicas do joelho e problemas oriundos dos quadris.

Todos estes fatores podem alterar a cinemática do joelho e predispor a lesões. Uma vez iniciado o tratamento, o grande desafio é melhorar a força, o equilíbrio e a flexibilidade de uma articulação dolorosa. Caso o paciente não coopere e exagere tanto em atividades da vida diária, quanto no retorno precoce a atividades físicas, pode haver o derrame articular, popularmente conhecido como “água no joelho”, uma reação inflamatória difusa da membrana que reveste a articulação com extravasamento de líquido para a mesma. Isto leva à inibição do reflexo do músculo quadríceps da coxa, com conseqüente atrofia muscular, formando-se um ciclo vicioso de difícil quebra.

Em linhas gerais, aí vão algumas orientações aos atletas e esportistas que têm ou já tiveram dor no joelho:

Aos iniciantes:

Realizar avaliação física pré-esportiva com um profissional da área médica de sua confiança para que fatores intrínsecos seja detectados e corrigidos, como, por exemplo, a pisada pronada, ou supinada, encurtamentos  e desquilíbrios musculares. A próxima etapa será praticar o esporte orientado por um instrutor da área, para que seja evitada a técnica inadequada.

Aos praticantes:

Dor é sinal de lesão. É seu organismo lhe dizendo que algo não vai bem. Portanto, se o joelho dói, ou está inchado é hora de parar, procurar um médico ortopedista, reabilitar-se e, posteriormente, retornar ao esporte.

Aos atletas:

O acompanhamento periódico da equipe por um médico do esporte é indispensável. Apesar de muitas vezes, o exame físico estar dentro da normalidade, pode haver algum grau de desequilíbrio muscular. Muitas vezes somente é detectado através do dinamômetro da avaliação isocinética e que, cedo ou tarde, poderá levar a lesões e comprometer sua performance.



FRATURAS SILENCIOSAS

Quando ouvem falar em osteoporose, as pessoas, provavelmente, devem pensar em quedas e ossos fraturados. É natural, pois

Quando ouvem falar em osteoporose, as pessoas, provavelmente, devem pensar em quedas e ossos fraturados. É natural, pois esse é o risco de se ter ossos frágeis. Com efeito, sofrer alguma fratura ao tropeçar e cair ou em acidentes em que a gravidade é percebida são acontecimentos explicáveis. “Só não é normal sofrer fraturas ao girar a maçaneta da porta ou erguer um objeto leve”.

A osteoporose, doença caracterizada pela perda e enfraquecimento da massa óssea, atinge uma em cada 3 mulheres e um a cada 8 homens depois dos 50 anos de idade.

Apesar da maior incidência em mulheres, a doença nada tem a ver com o sexo. Tanto é que, à medida que a idade avança (em média aos 75 anos), os homens ficam mais sujeitos ao distúrbio. Nelson Heinz, soldador aposentado, faz parte das exceções. Aos 20 anos de idade começou a sofrer da doença por motivos desconhecidos. Hoje, aos 52 anos, convive com próteses nos quadris e nos joelhos que o impedem de levar uma vida regular. “Essas próteses têm prazo de validade e é preciso sempre estar trocando”.

No caso das mulheres, Radominski comenta que elas começam a perder densidade óssea após a menopausa, uma vez que a concentração de estrogênio diminui no seu organismo. “Esse hormônio é muito importante, pois ajuda os ossos a armazenar cálcio”, reconhece. O especialista cita que outros aspectos da vida diária podem afetar os ossos, entre elas, as dietas, exercícios físicos, a ingestão freqüente de bebidas alcoólicas e o ato de fumar.
Os hábitos alimentares adquiridos na infância também podem interferir no esqueleto. Uma dieta que não contemple o consumo de cálcio pode contribuir decisivamente para um aumento da perda óssea. A deficiência de vitamina D, associada à deficiência de cálcio, ocasiona o enfraquecimento e aumenta os riscos de fraturas. “Na idade adulta, a mulher necessita de, em média, 1.200 miligramas de cálcio diariamente”, observa o médico.
Outros fatores podem aumentar o risco para osteoporose. Alguns tipos de câncer, doenças da tireóide, história pregressa de fraturas e o uso de certos medicamentos, como receitados para tratar doenças reumáticas. Por estar enfrentando uma artrite reumatóide com o uso de corticóides e por estar envolvida em questões de saúde, a técnica em enfermagem Zenaide Schaizoski foi orientada a realizar exames freqüentes de densitometria óssea. “Mesmo não sofrendo nenhum tipo de desconforto, foi percebida uma perda óssea se aproximando”, declarou. Assim, ela iniciou um tratamento que vem recuperando precocemente a densidade de seus ossos.Trinômio
Não são só as fraturas em si ou a difícil recuperação que tornam a osteoporose uma inimiga da saúde pública. O pior é o que vem depois. A fratura dá início a uma corrente de eventos relacionados ao envelhecimento. As pessoas ficam mais fracas e suscetíveis às infecções. Além disso, devido a pouca atividade física, o sistema imunológico torna-se mais vulnerável e podem surgir doenças mais graves. Sem contar que os custos diretos e indiretos de saúde e cuidados hospitalares provocados pela doença aumentam na medida em que os pacientes perdem a sua independência e precisam de cuidados médicos constantes.
Para quem só ouviu falar da osteoporose a partir da década de 1980, quando ela ficou mais popular, Radominski lembra que ela sempre existiu. “Só que não tínhamos exames e equipamentos para diagnosticá-la com precisão”, frisa. O mesmo acontece quando a questão versa sobre os medicamentos, hoje mais modernos e potentes. No entender do especialista, apesar de todos os avanços, nada substitui o trinômio informação/orientação/prevenção. Para prevenir
* Uma dieta rica em cálcio é fundamental.
* Consumir diariamente leite e seus derivados.
* Não dispensar brócolis, espinafre, couve, entre outras verduras.
* Incluir peixe na alimentação.
* Se expor ao sol pelo menos por 30 minutos diários.
* Praticar uma atividade física regular.
* A prevenção deve começar ainda na infância.

 



OSTEOARTRITE E OBESIDADE SÃO UMA COMBINAÇÃO PERIGOSA

A artrite (inflamação das articulações) é a maior causa de dor crônica e incapacidade entre os americanos, e possivelmente também entre os brasileiros. Cerca de 80% dos norte-americanos têm ou conhece alguém com artrite, e os números continuam crescendo. Embora existam mais de 100 formas de artrite, 54% dos doentes com artrite sofrem de osteoartrite (OA), também conhecida como artrose (um desgaste das articulações).

Apesar de parecer contraditório, os mais afetados pela artrose são justamente os que apresentam níveis mais altos de inatividade física, principalmente as pessoas do sexo feminino. As mulheres são quase duas vezes mais propensas que os homens a nunca se envolverem em atividades físicas significativas. Então, de onde vem todo esse “desgaste das articulações”? Ele não deveria ser maior nas pessoas que mais utilizaram suas articulações durante a vida?

Relatórios dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram que quem sofre de artrose tem a propensão de ser menos ativo fisicamente. Isso por causa de uma crença comum e antiga, que prega “que pessoas com artrose precisam descansar suas articulações”.

Como resultado, muitas pessoas que sofrem de artrose diminuem sua atividade física por medo de aumentar a dor ou de agravar os sintomas da doença, quando a atividade física é que realmente trabalha para aliviar a dor e a rigidez dos pacientes. Quase metade dos adultos com artrose diagnosticada relatam não fazer nenhuma atividade física. 

“Assim, para muitos pacientes desinformados, o que começa como um movimento doloroso pode terminar numa vida sedentária, que pode fazer com que o paciente evolua gradualmente de um peso normal para a obesidade. Neste processo, cada quilo ganho representa mais pressão nos joelhos e nos quadris, criando um ciclo vicioso de dor, sedentarismo e ganho de peso. Chamamos esse processo de comorbidade. Comorbidades são doenças que trabalham juntas para piorar a condição do paciente. Neste caso, a osteoartrite e a obesidade são conhecidas por serem doenças comórbidas”.

O excesso de peso corporal impacta diretamente as articulações, especialmente a dos joelhos. “Apenas 10 quilos a mais de peso corporal coloca o dobro de peso sobre cada joelho durante uma caminhada. O estresse resultante de tal carga de peso faz com que a cartilagem, que amortece as articulações, comece a se deteriorar. É por isso que a osteoartrite de joelho é de quatro a cinco vezes mais comum em pessoas com excesso de peso do que em pessoas com peso corporal normal”.

Se as mulheres obesas perdessem peso e fossem reclassificadas apenas com sobrepeso, e as mulheres, na categoria do sobrepeso, perdessem peso suficiente para se encaixarem na categoria de peso normal, a artrose de joelho entre as mulheres diminuiria em até um terço. Em breve, infelizmente, porque a obesidade infantil atingiu um nível epidêmico, a osteoartrite vai começar a ser diagnosticada antes da idade de 40 anos.

Como a osteoartrite e a obesidade tendem a piorar, principalmente devido à falta de exercícios físicos, o nível de incapacidade e de dor pode chegar ao ponto onde a cirurgia é a única solução. De acordo com o Journal of Bone and Joint Surgery (JBJS), haverá um aumento de 670% no número de cirurgias do joelho para colocação de próteses até  2030.

Mas o estado crítico de saúde dos pacientes obesos pode levar a complicações médicas durante a cirurgia. “A cirurgia pode levar mais tempo, ser mais difícil e, provavelmente, levar a um maior nível de infecções, hemorragias e tromboembolismo. E mesmo com uma cirurgia bem sucedida, alguns indivíduos nunca alcançarão a melhora completa, que é experimentada por pacientes com peso normal”.

Não importa como o ciclo começa, obesidade e osteoartrite devem ser tratadas em conjunto. A atividade física é a chave para a redução do risco de desenvolvimento de ambas, bem como inúmeras outras doenças relacionadas, tais como diabetes, doença cardíaca, hipertensão e acidente vascular cerebral.

“A mudança começa com as escolhas individuais, feitas com base em benefícios percebidos. Portanto, é vital educar e convencer os pacientes que estão em maior risco que os desafios são superáveis, que os benefícios são atingíveis e que o esforço vale a pena. Uma mulher de estatura média pode diminuir seu risco de osteoartrite do joelho pela metade para cada 11 quilos de peso que ela perde. Este é o exemplo perfeito de como os pacientes, munidos de informação, podem prevenir doenças e comorbidades, evitando a necessidade de intervenções médicas radicais”.

 

 

 

 



JOELHOS SAUDÁVEIS AUMENTAM A EXPECTATIVA DE VIDA

Cuidar dessa importante peça do aparelho locomotor não previne apenas dores e limitações no cotidiano como também reflete na longevidade.

Cada passo gera um impacto equivalente a duas vezes o peso do corpo sobre o joelho quando caminhamos. Durante uma corrida, a sobrecarga é igual a multiplicar por seis o total de quilos de uma pessoa. Portanto, está aí uma articulação que trabalha pesado — e que muitas vezes sofre. Até porque a saúde dessa engrenagem natural não é prioridade de boa parte dos indivíduos por supostamente afetar muito pouco o resto do organismo. Supostamente. Um estudo proveniente dos Estados Unidos mostra que não é bem assim. O biomecânico Scott Lovald, da empresa de consultoria científica Exponent, ao lado de um time de pesquisadores, avaliou registros médicos de 134 458 pacientes com artrose avançada nessa junta — quadro em que a colocação de uma prótese costuma ser indicada por melhorar a movimentação e até proteger o restante dos ossos. Acredite se quiser, os indivíduos submetidos a essa cirurgia tiveram, sete anos depois, uma taxa de sobrevida 50% maior em comparação com quem não passou por ela.

“A prótese está longe de ser solução para todos os casos”, reconhece Lovald. “O importante é mostrar que o tratamento adequado de problemas no joelho promove um bom funcionamento do corpo inteiro.” A afirmação parece exagerada. Porém, quando essa articulação apresenta panes, qualquer tarefa que exija das pernas fica difícil.  Que fique claro: o simples fato de percorrer distâncias mínimas e não ficar sentado o tempo todo já traz benefícios. Portanto, nem quem se considera sedentário pode negligenciar a maquinaria localizada entre a canela e a coxa.

O conjunto de ossos, ligamentos e cartilagens dos joelhos está intimamente relacionado à nossa independência.Doenças como a depressão não preocupam meramente por comprometerem o bem-estar. Elas também abatem as defesas do organismo e, aí, patrocinam uma série de males que levam a riscos de vida. Não à toa, determinados distúrbios mentais são associados a taxas elevadas de mortalidade.

Não há justificativa para a instalação de uma prótese, é claro, quando a artrose está em estágio inicial. Na Suécia, mais especificamente na Universidade de Lund, cientistas averiguaram que um joelho, digamos, biônico de fato reduzia o número de óbitos no grupo examinado. Mas só nos primeiros 12 anos após a cirurgia. Depois desse período, o cenário mudava completamente — a população com as peças naturais tendia a viver mais do que a turma operada. Tudo teria a ver com o fato de a prótese ser menos resistente do que a versão original e, por isso, com o passar dos anos demandar restrições que repercutiriam no dia a dia. “Esses dispositivos têm prazo de validade. Com o tempo, um novo procedimento cirúrgico, que sempre possui seus riscos, se faz necessário para trocá-los”.

Fica claro então que, para se proteger da artrose e de suas consequências, a palavra-chave é prevenção. Só falta ressaltar um ponto essencial: tropeções menos sérios, por assim dizer, a exemplo de lesões pequenas no menisco ou nos ligamentos cruzados, muitas vezes antecipam o processo degenerativo da junta. “Eles podem provocar alterações imperceptíveis ou instabilidade nos movimentos, dois fatores com potencial para acelerar o desgaste”.  Em outras palavras, desconfortos precisam levantar suspeita e ser comunicados a um especialista. Quando falamos em joelho, o diagnóstico precoce de qualquer problema, por menor que seja, é sinônimo de tratamento menos traumático e muito eficaz.

Alguns bons cuidados 

Por mais que cargas em excesso sejam danosas, em doses adequadas o impacto é benéfico. “É que ele estimula a formação óssea. Daí a importância de caminhar, correr ou realizar outras atividades que tragam um contato constante entre os pés e o solo. Puxar ferro na academia também ajuda, porque fortalece os músculos dos membros inferiores. Em forma, eles amortecem a sobrecarga imposta sobre a articulação, aplacando o risco de contusões. “Manter uma boa flexibilidade é igualmente essencial”.  “Tanto que se recomendam alongamentos independentemente de o sujeito praticar ou não um esporte naquele dia.”

Agora, antes de largar o sedentarismo, passe por uma avaliação que inclua, além dos conhecidos testes cardiológicos, exames ortopédicos. “Nenhum joelho é igual, e essa investigação permite ao médico conhecer particularidades para liberar a pessoa com segurança para se exercitar ou até restringir certas modalidades”. Ao adotar as medidas protetoras, essa articulação transportará seu corpo por anos a fio.

Perigos mal articulados 
Atitudes supostamente inofensivas danificam os joelhos

Correr na valeta 
Por ser inclinada, ela deixa a pisada completamente torta. Isso, por sua vez, traz repercussões dolorosas no aparelho locomotor.

Descer ladeiras 
As brecadas constantes, quase inconscientes, agridem aos poucos a articulação. Ao atravessar trechos íngremes, maneire no ritmo. 

Ficar tempo demais na cadeira
A flexão contínua sobrecarrega a patela, o pequeno osso que fica na frente dessa junta. Outra razão para se levantar a cada hora no escritório.

Sentar-se sobre os pés 
Além de o peso do corpo ficar mal distribuído, pernas totalmente dobradas forçam bastante a articulação.

Não tomar banhos de sol 
Os raios solares são vitais para a produção de vitamina D, nutriente que transporta cálcio até os joelhos, deixando-os firmes. 


Quando optar pela cirurgia?

Idade, extensão do quadro e quais atividades físicas o indivíduo faz: esses são os três fatores principais analisados pelos médicos ao decidir se um defeito qualquer será resolvido no bisturi ou por meio de técnicas como a fisioterapia. Jovens que praticam esportes com mudanças de direção e apresentam uma lesão grave correm maior risco de serem operados.

As outras articulações: “O tornozelo e o quadril são outras peças fundamentais para os membros inferiores se moverem”.“Assim, eles também merecem atenção, porque influenciam demais na qualidade de vida”, completa. Até ombros, cotovelos e pulsos demandam zelo nesse sentido, porque interferem na mobilidade dos braços e, consequentemente, em atividades cotidianas se estão lesionados.
 



ARTROSCOPIA É TÉCNICA POUCO INVASIVA PARA LESÕES DE ATM, JO

A todo momento, usamos alguma articulação do nosso corpo. Seja para sentar, levantar, comer, falar ou pegar algo. São dedos, joelhos, ombros, punhos, tornozelos e ATM (articulação temporomandibular), que se movem como se fossem as engrenagens de uma máquina. 

A todo momento, usamos alguma articulação do nosso corpo. Seja para sentar, levantar, comer, falar ou pegar algo. São dedos, joelhos, ombros, punhos, tornozelos e ATM (articulação temporomandibular), que se movem como se fossem as engrenagens de uma máquina. 

Ao mesmo tempo em que elas nos ajudam, nós também as sobrecarregamos, por isso é comum haver desgastes ou lesões.

Muitas vezes, uma dor de cabeça constante que não se sabe direito de onde vem, e não é sinusite, enxaqueca nem labirintite, pode ser problema na mandíbula, na ATM. Segundo o ortopedista Moisés Cohen e o cirurgião bucomaxilofacial Gabriel Pastore, muita gente sente dor na mandíbula, nos joelhos ou ombros e não resolve isso com fisioterapia. Às vezes, a situação também não é tão grave que precise de uma operação aberta.

Para resolver esse caso, existe uma técnica não tão invasiva que pode aliviar as dores: a artroscopia, que nada mais é que um procedimento por videolaparoscopia. Esse método olha dentro de articulações, ligamentos, tendões e cartilagens, e torna a recuperação mais rápida e menos dolorosa.

Na artroscopia, são feitos dois pequenos cortes. Em um deles, é introduzida uma câmera que transmite as imagens para um monitor e, assim, é possível que o cirurgião veja as articulações por dentro. Essa técnica já é possível desde os anos 1980 e vem se ampliando para outras articulações. Atualmente, a artroscopia é feita também nos quadris e tornozelos. Se for usada uma câmera menor, ainda é possível realizá-las nos cotovelos, punhos e dedos.

Entre os problemas que podem ter indicação de artroscopia, estão: tendinite, ruptura de tendões, inflamação, calcificação, lesões de menisco, ligamentos e cartilagens. Já as fraturas e os desgastes nas articulações geralmente precisam de outros tratamentos. No caso da ATM, a prescrição é geralmente para os pacientes que não tiveram resultado com tratamentos convencionais (aparelhos ortodônticos, placas de silicone ou fisioterapia), mas também não têm algo tão grave que demande uma cirurgia aberta.




PEDALAR ERRADO E TRAVAR O JOELHO: RISCOS DE LESÃO EM ESPORTES DE AVENTURA

Fatores extrínsecos e intrínsecos podem contribuir para sobrecarga das articulações. Ortopedista instrui iniciantes, praticantes e atletas.

No esporte, o joelho é uma articulação cujas funções são a de absorver a energia cinética gerada pelo contato dos membros inferiores ao solo e transmitir o movimento aos demais seguimentos do corpo. Isto se deve a dois mecanismos básicos: a chamada contração muscular excêntrica, onde a fibra muscular contrai e alonga-se resistindo ao movimento, e aos graus de flexão. Em uma corrida, por exemplo, a força de reação ao solo, que chega a ser duas vezes o peso do indivíduo, é absorvida pela flexão do Joelho entre 50 e 60 graus e pela resistência do quadríceps, ou músculo anterior da coxa. O restante é dissipado pelo quadril e coluna vertebral.

Quando o joelho sai dos seus limites fisiológicos e deixa de executar suas funções, deve-se levar em conta dois fatores: os extrínsecos e os intrínsecos. Os primeiros incluem o treino inadequado e o aumento da freqüência, ou intensidade. Os outros são inerentes ao indívíduo: a pisada muito pronada ou supinada, joelhos em “x” ou arqueados, angulação e rotação anormais entre os ossos do quadril, diferença de comprimento dos membros e, principalmente enfraquecimento e encurtamento de grupos musculares, gerando desequilíbrio entre músculos agonistas e antagonistas. Juntos, esses fatores contribuem para que haja perda da capacidade de absorção e dissipação de energia, gerando as chamadas lesões por sobrecarga, dentre elas as tendinites, bursites, sinovites e o amolecimento e fissura da cartilagem patelar, a condromálacea.

Nos esportes de aventura, diferente de outras modalidades, o que conta é a extrema irregularidade do terreno, com aclives e declives acentuados, exigindo ângulos extremos de flexão do joelho nas subidas e grande capacidade de absorção de energia, frenando e desacelerando o corpo nas descidas. Para a prática esportiva, o joelho, assim como outros seguimentos do aparelho locomotor, deve estar preparado. Na escalada e na espeleologia, trabalhando em ângulos de flexão do joelho acima de 90 graus, existe aumento do vetor de reação articular, ou seja, a pressão da rótula exercida sobre o fêmur é maior. Além disso, o joelho é submetido a um risco adicional: o joelho “travado” em flexão aumenta a chance de lesão de ligamentos e meniscos após entorse.

No trekking, a reação articular cíclica sob os mais diversos ângulos e força muscular são os fatores que levam a lesão não só de uma, mas de várias estruturas do joelho. São comuns tendinites associadas a lesões musculares por excesso de uso ou por distenções. Nas corridas de aventura, acrescenta-se o tempo prolongado de exposição da articulação aos fatores lesivos à necessidade de ganho de velocidade. Estatisticamente, é a modalidade com maior incidência de lesões e afastamento parcial ou definitivo de praticantes. O uso da mountain bike mal adaptada ao biótipo do indivíduo pode gerar dores no joelho. Quadro inadequado, selim muito alto ou muito baixo e técnica errada de pedalar são, de longe, os fatores responsáveis por dores no joelho. Um corredor de aventura que pedalou inadequadamente continuará lesionando quando estiver andando, correndo ou executando as técnicas verticais.

Independente da modalidade esportiva praticada, havendo lesão, além da dor, ocorre o derrame articular, popularmente conhecido como “água no joelho". Fato é que, havendo derrame, há inibição do reflexo do músculo quadríceps da coxa, com conseqüente atrofia muscular. Se o praticante não se reabilita de maneira adequada e corrige os fatores intrínsecos e extrínsecos que proporcionaram a lesão, a mesma pode progredir, agravar-se, incapacitá-lo de exercer atividades leves da vida diária ou, até mesmo, em graus extremos, levar à falência estrutural com a possibilidade de fraturas por estresse, rupturas musculares ou tendíneas.

Algumas orientações aos praticantes dos esportes de aventura:

a) Iniciantes: realizar avaliação física pré-esportiva com um profissional da área médica de sua confiança para que fatores intrínsecos seja detectados e corrigidos, como, por exemplo, a pisada pronada, ou supinada, encurtamentos e desquilíbrios musculares. A próxima etapa será praticar o esporte orientado por um instrutor da área, para que seja evitada a técnica inadequada.

b) Praticantes: dor é sinal de lesão. É seu organismo lhe dizendo que algo não vai bem. Portanto, se o joelho dói, ou está inchado é hora de parar, procurar um médico ortopedista, reabilitar-se e, posteriormente, retornar ao esporte.

c) Atletas: acompanhamento periódico da equipe por um médico do esporte é indispensável. Apesar de muitas vezes, o exame físico estar dentro da normalidade, pode haver algum grau de desequilíbrio muscular, muitas vezes somente detectado através do dinamômetro da avaliação isocinética e que, cedo ou tarde, poderá levar a lesões e comprometer sua performance.

 

 



NADA DE EXAGERO: COMO EVITAR A SOBRECARGA NOS JOELHOS

Lesões graves podem ser ocasionadas por exercícios feitos de forma incorreta nas academias. Ortopedista lista três passos importantes para prevenção.

Hoje em dia é cada vez maior o número de adeptos às salas de musculação. Muitos procuram a academia de ginástica apenas para seu bem estar, outros buscam preparação para os esportes ou apenas seguir orientações médicas. As máquinas utilizadas na musculação e as modalidades de treinamento têm sido alteradas no decorrer dos anos, mas nem sempre essas alterações são acompanhadas por estudos biomecânicos. O que se tem visto cada vez mais em consultórios de medicina esportiva é que muitas pessoas que ingressam em academias, pricipalmente aquelas que começam a treinar sem orientação de um profissional de educação física acabam desenvolvendo lesões porsobrecarga no joelho, muitas vezes graves.

Mas por que uma pessoa que estava sadia e iniciou um treinamento desenvolveu lesão? Seria culpa das máquinas ? Seria do excesso de treinamento? Algumas pessoas possuem tendência a desenvolver lesões por esforço repetitivo e isso está ligado a diversos fatores, dentre eles, ao eixo dos membros. Ou seja, se as pernas são tortas, a angulação dos ossos do quadril, do joelho e a pisadas muito pronadas ou supinadas. Isso, somado a um mal funcionamento muscular pode levar a uma sobrecarga muito grande sobre a cartilagem, tendões e sobre a cápsula articular. Passando os limites fisiológicos, pode levar a lesões irreversíveis.

Outro fator muito importante a ser levado em conta é a angulação em que o joelho é submetido durante o treino. Sabe-se hoje que algumas máquinas de cadeia cinética fechada nas quais trabalham-se o joelho, tornozelo e quadril ao mesmo tempo ,como o leg-press, por exemplo, quando usadas em uma em angulação acima de 60° geram um vetor de reação articular muito grande, com consequente hiperpressão na cartilagem, podendo levar a lesão.

Já as máquinas de cadeia cinética aberta, na qual apenas o joelho trabalha durante a contração, como a cadeira extensora, esta hiperpressão ocorre quando o joelho está muito próximo de ficar completamente esticado. Justamente esta máquina é a mais utilizada para que se realize isometeria (contração muscular mantendo o joelho esticado) para as pessoas que já possuem algum tipo de lesão. Quando realizada em doenças como a condromalácia e tendinite patelar, a doença do aluno pode sim piorar.

Mas como prevenir uma lesão na musculação? Para que uma pessoa que já pratica esporte, como a corrida de rua, por exemplo, e procura a academia para treinamento funcional ou para a pessoa que busca ganho de qualidade de vida, a prevenção de lesões inclui três passos:

1 - Realizar um check up esportivo incluindo avaliaçåo do aparelho locomotor, realizado por um traumatologista do esporte por um fisioterapeuta esportivo

2 - Criar um canal de comunicação entre equipe de saúde e o profissional de educação física.

3 - Enfatizar a responsabilidade do aluno ao se praticar musculação, não exagerando no volume e na intensidade do treino, respeitando-se as orientações dos profissionais envolvidos.